As vezes sinto falta da ilusão... da vitalidade das manhãs... mais claras, mais quentes, mais belas. Sinto falta de seguir o curso das águas da vida, de ter um rumo, fazer planos. Sinto falta de cada sonho, cada sorriso despreocupado, e do brilho em meus olhos. Sinto falta de cada dia que não volta mais, do reflexo da luz da esperança sob o meu rosto. Sinto falta de sentir o sangue, quente, percorrendo as minhas veias, e o coração a pulsar, cada vez mais depressa, cada vez mais forte, cada vez mais vivo. Sinto falta de olhar para as estrelas e tentar desvenda-las, divertir-me e encantar-me a cada momento, cada suspiro de vida.
As vezes sinto-me mergulhada em escuridão. Sinto que a vida simplesmente parou, de uma hora para a outra.
As luzes se apagaram e o rio... parou. Minha vida transformou-se em um verdadeiro lago, parado, triste.
E o dia tornou-se cada vez mais frio, o céu, cada vez mais cinza, e vazio, nas noites que antes eram repletas de estrelas.
Todos os dias sinto falta da leveza e delicadeza com que levava cada momento. Sinto falta do coração, repleto de amor. Hoje, sinto que seja inevitável a dor, a morbidez, a frieza, a escassez de afeto e segurança.
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